Os 5 anúncios do Meta Connect 2025 que ninguém esperava

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O fundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, apresentou nesta quarta-feira (17) o mais recente dispositivo vestível de próxima geração da empresa. Trata-se de um par de óculos inteligentes equipados com um minúsculo display embutido na lente, desenvolvidos para operar com recursos de inteligência artificial.

Meta Connect 2025

Óculos inteligentes sempre pareceram uma daquelas tecnologias futuristas presas no horizonte, um conceito interessante, mas perpetuamente a alguns anos de distância de se tornar prático. O Meta Connect 2025, no entanto, não apenas encurta essa distância; ele redesenhou o mapa. 

Prepare-se para conhecer inovações que vão desde o controle de dispositivos com sinais neurais até parcerias que transformam óculos em ferramentas de performance. E, como veremos, nem tudo saiu como planejado no palco — mas até mesmo as falhas revelaram a ambição monumental do que está sendo construído.

 

1.O controle mental deixou de ser ficção: conheça a Meta Neural Band

O anúncio mais chocante foi, sem dúvida, a Meta Neural Band. Deixando protótipos de lado, a Meta apresentou uma pulseira que permite controlar seus óculos de forma silenciosa e quase invisível. Mas não se trata de ler pensamentos. Seu funcionamento se baseia na detecção de sinais elétricos que o cérebro envia aos músculos do pulso. Ao intencionar um movimento sutil, a pulseira capta esses sinais neurais e os traduz em comandos digitais.

Os casos de uso práticos são impressionantes: digitar mensagens discretamente a até 30 palavras por minuto, atender ou pausar chamadas de vídeo e controlar a música, tudo sem falar ou gesticular de forma óbvia. O mais impactante é que este não é um vislumbre de um futuro distante; a Neural Band será vendida em conjunto com os novos óculos Ray-Ban Display, sinalizando a chegada da primeira interface neural de consumo em massa.

“A capacidade de enviar sinais do seu cérebro com pequenos movimentos musculares que a pulseira neural irá captar, para que você possa controlar silenciosamente seus óculos com movimentos quase imperceptíveis.”

2. Ray-Ban Meta de segunda geração

A Meta lançou a segunda geração dos óculos inteligentes Ray-Ban, chamada oficialmente de Ray-Ban Meta (Gen 2). O modelo mantém os recursos já conhecidos, mas recebeu avanços importantes em desempenho e funcionalidades.

O principal destaque está na bateria, agora com autonomia de até oito horas em uso normal — quase o dobro em relação à versão anterior. O carregamento rápido também chama atenção: em apenas 20 minutos, é possível recuperar 50% da carga. O estojo acompanha a novidade e oferece até 48 horas extras de uso, garantindo praticidade para quem passa longos períodos fora de casa.

Outro ponto aprimorado é a qualidade de vídeo. Os novos óculos gravam em resolução 3K Ultra HD, com HDR ultrawide, a até 60 quadros por segundo, entregando mais que o dobro de pixels da primeira geração. A empresa também anunciou que, ainda este ano, serão liberados novos modos de filmagem — como hyperlapse e câmera lenta — disponíveis não só para o Gen 2, mas também para os demais modelos de óculos de IA da marca.

No quesito disponibilidade, o Ray-Ban Meta (Gen 2) chega a mais mercados, incluindo Suíça e Holanda, e a previsão é que em breve seja vendido também no Brasil. Já em relação ao design, o consumidor poderá escolher entre os estilos Wayfarer, Skyler e Headliner, além de três novas opções de cores sazonais lançadas por tempo limitado.

Os óculos inteligentes de segunda geração já podem ser adquiridos a partir de US$ 379 (cerca de R$ 2.013,06).

3. Os Óculos Meta Ray-Ban Display

Junto com a Neural Band, a Meta revelou os óculos Ray-Ban Display, os “primeiros óculos de IA com uma tela de alta resolução”. Enquanto a ideia de uma tela em óculos não é nova, a execução técnica é o que surpreende. A qualidade da imagem promete superar muitas soluções atuais.

As especificações são de ponta:

  • Resolução: 42 pixels por grau, o que, segundo a Meta, é “mais nítido que qualquer headset de grande porte que existe”.
  • Brilho: Até 5.000 nits, garantindo visibilidade perfeita mesmo sob a luz forte do sol.

A interface foi projetada para não ser intrusiva: a tela aparece em um olho, ligeiramente descentralizada para não bloquear a visão do mundo real, e desaparece quando não está em uso. Isso habilita funcionalidades como legendas em tempo real durante conversas, traduções instantâneas e a visualização de fotos e vídeos. O conjunto dos óculos Meta Ray-Ban Display e da Neural Band custará $799, com demonstrações disponíveis nas lojas a partir de 30 de setembro. Para referência, a nova geração dos Ray-Ban Meta padrão já está disponível a partir de $379.

4. Oakley Meta Vanguard: Óculos inteligentes para atletas de elite: a parceria com Garmin e Strava

A Meta também anunciou o Oakley Meta Vanguard, um modelo focado em atletas de alta performance. O hardware foi projetado para a ação, com resistência à água IP67 e lentes intercambiáveis. As melhorias técnicas são notáveis:

  • Câmera: Centralizada, com um campo de visão mais amplo de 122 graus.
  • Vídeo: Gravação em 3K com estabilização de imagem.
  • Áudio: Alto-falantes 6 dB mais potentes que o modelo anterior, com redução avançada de ruído de vento.
  • Modos de Captura: Novos modos de câmera lenta (slow motion) e hyperlapse.

A inovação mais surpreendente, contudo, foi a integração profunda com Garmin e Strava. O recurso de “captura automática” permite que os óculos comecem a gravar vídeo quando o atleta atinge marcos monitorados por um dispositivo Garmin, como certas velocidades ou intervalos. Além disso, um LED na visão periférica atua como um guia visual para manter o atleta em sua meta de ritmo ou zona de frequência cardíaca. O Oakley Meta Vanguard custará $499 (R$ 2.650, na conversão direta), com pré-venda imediata e envio a partir de 21 de outubro.

5. A Visão de James Cameron

A participação do cineasta James Cameron trouxe uma perspectiva estratégica crucial. Discutindo o futuro do entretenimento na plataforma Meta Horizon, Cameron compartilhou uma visão para resolver o maior problema da Meta: a falta de conteúdo 3D de alta qualidade. A solução, segundo ele, é tornar a criação de experiências imersivas acessível a todos, não apenas aos estúdios de Hollywood. Esse é um link direto para a estratégia da Meta, que precisa desesperadamente de conteúdo para tornar seu metaverso atraente.

“Queremos tornar o material tão à prova de idiotas que possamos colocar uma câmera de produção, um sistema de produção, nas mãos de qualquer pessoa, em qualquer lugar… Levamos 25 anos para descobrir o tipo de algoritmo para isso, queremos transformá-lo em um algoritmo real e incorporá-lo a este equipamento e torná-lo disponível.”

Se essa visão se concretizar, poderemos estar à beira de uma explosão de conteúdo imersivo gerado por usuários, resolvendo o gargalo de conteúdo da Meta e alimentando o metaverso com mundos e histórias que hoje são impossíveis de criar sem recursos massivos.

Falhas ao vivo

Em meio a anúncios de tecnologias quase mágicas, o evento foi marcado por falhas técnicas que trouxeram uma dose de autenticidade. Vimos a demonstração de uma receita com o Chef Jack Manuso ser interrompida por problemas de Wi-Fi, e assistimos às múltiplas tentativas fracassadas de Mark Zuckerberg para fazer uma chamada de vídeo usando a Neural Band. Longe de ser um fracasso, esses momentos foram reveladores.

A reação de Zuckerberg destacou a vulnerabilidade por trás da inovação.

“A ironia de tudo isso é que você passa anos fazendo tecnologia e então o Wi-Fi no dia meio que te pega… Eu prometo a vocês que ninguém está mais chateado com isso do que eu, porque esta é a minha equipe que agora tem que depurar por que isso não funcionou no palco.”

Esses momentos não apenas provaram que a demo era ao vivo, mas também ilustraram a verdadeira fonte da complexidade. Não era apenas o Wi-Fi. Era o desafio de integrar, em tempo real, múltiplos sistemas de ponta — uma interface neural, processamento de IA, streaming de vídeo e hardware inédito. As falhas foram um testemunho da imensa ambição técnica do projeto.

Estamos prontos para o próximo salto?

O Meta Connect 2025 deixou claro que a empresa está se movendo para além de gadgets isolados e em direção a uma nova era de interfaces homem-computador, onde a tecnologia se integra de forma invisível ao nosso dia a dia. Enquanto a Apple aposta em imersão total com o Vision Pro, a Meta joga um jogo diferente e talvez mais longo: a integração invisível da IA na vida cotidiana. A Neural Band não é apenas um acessório; é o primeiro passo para uma interface pós-smartphone.

Isso nos deixa com uma pergunta final: estamos testemunhando o nascimento da próxima era computacional? Talvez o sucessor do smartphone? Ou estamos apenas vendo um experimento ambicioso, teste beta caro para os primeiros a adotarem? O tempo irá nos dizer, mas sem dúvida vai ser interessante assistir a tudo isso.

Artigo escrito por: Iza Olmos

Perguntas frequentes sobre o Meta Connect 2025

1. O que é a Meta Neural Band?
A Meta Neural Band é uma pulseira que capta sinais elétricos enviados pelo cérebro aos músculos do pulso. Esses sinais são traduzidos em comandos digitais, permitindo controlar óculos inteligentes de forma quase invisível, como digitar mensagens discretas ou atender chamadas sem precisar usar as mãos.

2. Quais são as principais novidades do Ray-Ban Meta (Gen 2)?
A nova geração traz bateria com até oito horas de duração, carregamento rápido (50% em 20 minutos) e um estojo que oferece 48 horas adicionais. Além disso, grava vídeos em 3K Ultra HD com HDR ultrawide e até 60 quadros por segundo.

3. O que diferencia os óculos Ray-Ban Display dos demais modelos?

Eles são os primeiros óculos da Meta com tela integrada de alta resolução (42 pixels por grau e até 5.000 nits de brilho). O display aparece de forma discreta em apenas um dos olhos, permitindo funções como legendas em tempo real, traduções instantâneas e visualização de fotos e vídeos.

4. Para quem foi pensado o Oakley Meta Vanguard?
Esse modelo é voltado para atletas de alta performance. Ele traz câmera centralizada com campo de visão de 122 graus, resistência à água IP67, áudio otimizado e integração com Garmin e Strava, incluindo a função de captura automática durante treinos.

5. Qual foi a contribuição de James Cameron no evento?
O cineasta apresentou uma visão estratégica sobre a criação de conteúdo 3D. Ele defendeu que ferramentas de produção imersiva devem ser acessíveis a qualquer pessoa, não apenas a grandes estúdios, para impulsionar o crescimento do metaverso.

6. Houve falhas durante a apresentação?
Sim. Alguns testes ao vivo não funcionaram como esperado, incluindo problemas de Wi-Fi e dificuldades no uso da Neural Band em uma chamada de vídeo. Esses momentos, no entanto, reforçaram a complexidade técnica das inovações apresentadas.7. Qual é a visão geral da Meta com esses anúncios?
A empresa busca ir além de dispositivos isolados e caminhar para interfaces invisíveis de interação homem-máquina. O objetivo é integrar a inteligência artificial no dia a dia das pessoas, sinalizando um futuro pós-smartphone.

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